Segunda, 31 Julho 2017

Marta Rocha: "Trilha do Dendê"

Postado em DESTAQUES Entrevista

Marcos Martinez, mais conhecido no off road baiano como Marta Rocha, é jipeiro desde 1994. Há 14 anos, ele desbravou, ao lado do filho homônimo chamado de Babinho, na época adolescente, uma trilha que se tornou famosa no calendário do 4x4 e que acontece no município de Taperoá, na Costa do Dendê. Claro que esse evento só poderia se chamar Trilha do Dendê, apontado por muitos jipeiros como o filé mignon do calendário do off road no estado e que é realizada de forma ininterrupta há 13 anos. Trata-se de uma aventura que mistura obstáculos diversificados e pesados, exigindo muito dos jipeiros e suas máquinas, e lindas paisagens em meio à mata fechada e clarões repletos de plantações de dendê para todo lado. Até hoje, Marta Rocha, jipeiro experiente que já fez Transamazônica e expedições longas, participa da trilha como o carro de número 1, ou seja, aquele que puxa o comboio pesado, com sua inseparável Land Rover Defender Soft Top. Confira abaixo um rápido bate-papo com ele sobre o Dendê.

Expedição 4x4 - Como foi que começou a Trilha do Dendê?
Marta Rocha – A trilha começou há 14 anos. Foi numa brincadeira, quando eu e meu filho andávamos pela região de quadriciclo. Tenho uma casa em Taperoá e aí a gente começou a desbravar. Fomos explorando um caminho por dentro até chegar ao povoado de Lamego, onde termina a trilha.

Expedição 4x4 – Começou nesse mesmo trajeto que é atualmente?
MR – Hoje a trilha tem quase 30 quilômetros. Quando começamos ela tinha uns 20 quilômetros e trechos que não fazem mais parte hoje. Tinha um trecho chamado de Lamão, por exemplo, que a gente tirou porque se perdia muito tempo para seguir a trilha. Era bastante divertido mas embolava muito. Hoje temos obstáculos muito difíceis que tornam a trilha travada, como o Corredor da Morte, o Corredor dos Tocos, o Corredor dos Porcos, o pântano que chamamos de Buraco do Neto, em homenagem a um sobrinho meu que descobriu o lugar. Temos ainda a travessia do Rio das Pedras, que fica após o Buraco do Neto, e do Rio Velho, já próximo ao povoado do Lamego, a subida das ladeiras chamadas de Duas Irmãs e a Ponte do Cowboy, em homenagem ao jipeiro conhecido por todos nós que trouxe de Salvador o material para fazer essa passagem. Ah, tem também a Matinha, que serve como desvio do Corredor dos Tocos, como uma segunda opção.

Expedição 4x4 – E como essa trilha começou a crescer tanto?
MR – Quando definimos esse trajeto inicial, há 14 anos, chamamos uma turma do clube Free Road 4x4, de Salvador, para conhecer o terreno. Essa turma, que tinha várias figuras, como Miguel Carneiro (Urubu), presidente do clube, adorou a trilha e aí entrou no calendário oficial do Free já no ano seguinte. E cresceu bastante. Na edição deste ano, por exemplo, tivemos cerca de 100 carros. Aliás, tivemos que limitar essa quantidade de carros. Está vindo gente de todo canto, até de Aracaju (SE). Aqui de Taperoá sempre aparece uma turma também com quase 10 jipes.

Expedição 4x4 – A Trilha do Dendê se tornou um dos eventos mais bem-sucedidos do off road aqui do Nordeste, em termos de procura, de organização e de patrocínio. Como vocês conseguiram isso?
MR – Alguns fatores são importantes. Primeiro porque trata-se de uma trilha com uma diversidade bacana de obstáculos complicados. Tem de tudo a trilha. Muita lama, erosões muito difíceis, como a subida das Duas Irmãs, tem travessia de rio, tem pântano, corredores onde a maioria dos carros só consegue sair com guincho. Isso tudo atraiu e atrai cada vez mais gente para nosso evento. Se falar em São Pedro não é, que costuma nos ajudar bastante com muita chuva, como nesse ano. Tem a questão da organização e da forma recebemos essas pessoas. Uma coisa que fazemos, por exemplo, é que sempre no final da trilha a gente passa uma “viatura vassoura”, ou seja, um carro para confirmar que ninguém ficou perdido na trilha. Conseguimos viabilizar o apoio da prefeitura local, que corretamente encara esse evento como uma oportunidade de gerar emprego e renda para o município. Durante a Trilha do Dendê, as hospedagens em Taperoá ficam lotadas, bem com os restaurantes. Toda a economia é movimentada. Também conseguimos o apoio de empresas como a Opalma, que deixa a gente fazer a trilha pela propriedade dela, Climauto, Land Bahia, Posto Transval, R Brum, Ritual Sexy Shop e Be Off Road. Estamos trabalhando agora para ter o apoio do governo do estado nas próximas edições do Dendê. Nosso evento é tão forte que as inscrições se esgotaram 48 horas após abertas este ano.

Expedição 4x4 – Pela dificuldade da trilha, que é intensa, como vocês da organização atuam para que tudo ocorra com o maior grau de tranquilidade possível?
MR – Com organização e planejamento. Observe que toda a trilha é sinalizada. Temos a “viatura vassoura”, como falei a você. A gente divide os comboios nas trilhas leve e pesada. Temos trator posicionado ali no Corredor da Morte. Para a trilha pesada, fazemos a vistoria dos carros. Só pode participar viaturas preparadas, com guincho, pneu lameiro e outras exigências. E tem o próprio espírito do jipeiro, que é solidário, que se ajuda. Ninguém fica de lado. Sempre que acontece, por exemplo, de um carro tombar, como vimos esse ano duas vezes, todos atuam para solucionar o problema ali na hora. Tanto que nunca tivemos um incidente mais grave. As dificuldades e os obstáculos fazem parte.

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